Células indiferenciadas poderão tratar algumas doenças 7 Outubro
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O presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução considera que as células estaminais, que existem no embrião, podem ser a chave para o tratamento de doenças como a diabetes e Parkinson.
O clínico falava à agência Lusa à margem do Congresso Português de Medicina da Reprodução, que decorre entre hoje e sábado em Espinho. A questão foi objecto de uma conferência da autoria de Anna Veiga, moderada por João Silva Carvalho e Carlos Plancha.
Segundo explicou à Lusa João Silva Carvalho, as células estaminais indiferenciadas existem sobretudo no embrião e o estudo sobre a sua diferenciação pode vir a permitir tratar doenças como a diabetes ou a doença de Parkinson. Questão relacionada é a de saber o que fazer com os embriões excedentários criopreservados, sendo uma solução admitida por Silva Carvalho vir a usá-los “para fins de investigação e estudo, em benefício da espécie humana”.
Outro dos temas em análise é o da incidência de gémeos na procriação medicamente assistida (PMA). A questão da gestação múltipla ou de gémeos é uma das que merece a atenção dos participantes, quer pela complexidade, quer pelos problemas que levanta, como os partos prematuros que ocorrem nesse tipo de gravidez.
A incidência de gémeos corresponde a cerca de 30 por cento dos bebés nascidos por PMA, que na Europa representam entre um e três por cento do total de nascimentos por ano. Apesar de tudo, os dados conhecidos indicam que em alguns casos a situação é em Portugal melhor do que noutros países europeus, se bem que no nosso país o registo da reprodução medicamente assistida seja facultativo.
São já cerca de 100 mil as crianças que na Europa nascem anualmente por PMA e a relativa novidade de algumas técnicas coloca a dúvida aos especialistas se são ou não totalmente saudáveis, sendo outro dos temas em análise no congresso.
No âmbito da procriação medicamente assistida, que compreende a fertilização “in vitro”, a inseminação artificial e a microinjecção introcitoplasmática do espermatozóide (ICSI), esta última tecnologia é a que maiores inquietações levanta à comunidade científica. O facto de se praticar apenas há uma dezena de anos não permite ainda uma completa avaliação das crianças assim geradas e é admitida a possibilidade de serem propensas a problemas no sistema nervoso ou ósseo, que se venham a revelar na adolescência ou na idade adulta.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6410322)


