Congresso vai analisar possíveis doenças genéticas após tratamento 6 Outubro
Comments Off
A possibilidade das crianças nascidas através de algumas técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) terem tendência para doenças de causa genética estará em análise no segundo Congresso Português de Medicina de Reprodução, que começa segunda-feira, em Espinho.
Cerca de 50 especialistas nacionais e estrangeiros irão participar neste evento, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR), o mais importante numa área que tenta dar resposta a 10 mil novos casos de infertilidade que se registam todos os anos em Portugal.
Existem 500 mil casais portugueses que, por razões de saúde, querem mas não conseguem ter filhos. Uma das soluções para a infertilidade é a PMA, responsável por um a três por cento do total de nascimentos na Europa. Alguns dos maiores especialistas mundiais nesta área da medicina estarão presentes no evento, que decorre entre segunda-feira e sábado e irá abordar temas como a criopreservação (congelação das células sexuais), os riscos genéticos ligados à PMA, a aplicabilidade das técnicas na prática clínica diária.
A SPMR salienta a análise que vai ser feita durante o congresso dos eventuais riscos genéticos ligados à PMA e, muito particularmente, à microinjecção intra-citoplasmática de espermatozóides (injectar um espermatozóide num único óvulo e posterior implantação no útero). Trata-se de “uma temática de grande interesse”, cuja oportunidade é fundamentada pelo “surgimento de algumas preocupações com as crianças nascidas através de técnicas de PMA, como a micro injecção”, sublinha a SPMR. A micro injecção é uma técnica desenvolvida há cerca de 12 anos e “o problema relaciona-se com a não existência de uma suficiente distância no tempo para uma completa avaliação destas crianças que garanta se são ou não totalmente saudáveis”.
Actualmente, prossegue a SPMR, “existem algumas inquietações perante a possibilidade destas crianças poderem ter propensão para algumas doenças de causa genética”. Proporcionar um conhecimento científico rigoroso e actualizado e informações úteis ao exercício diário da profissão são os principais objectivos desta reunião internacional.
Segundo o presidente da SPMR, João Silva Carvalho, um dos objectivos prioritários do congresso é constituir uma plataforma legítima de discussão e intercâmbio científico (conhecimentos e experiências) de forma profissionalmente útil e cientificamente válida, mas que apenas tem razão de ser se conseguirmos estendê-la a todos os níveis da nossa comunidade profissional”. A SPMR frisa que, em Portugal, o trabalho científico e clínico desenvolvido na área da reprodução – em particular no estudo e tratamento da infertilidade, com destaque para as técnicas de PMA – é “equiparável aos restantes países europeus e estrangeiros”.
Ao longo dos congressos decorrerão ainda cinco acções de formação específicas sobre áreas basilares no campo da infertilidade: “Avanços recentes na avaliação diagnóstica e na terapêutica inicial da infertilidade”, “Infertilidade Masculina, andrologia e genética”, “Vertentes ética, legislativa e psicossocial da PMA”, “Curso básico de laboratório para PMA” e “Endocrinologia Reprodutiva”.
A infertilidade é, por definição, “a incapacidade de um casal conceber ou levar a bom termo uma gravidez, depois de pelo menos um ano de relacionamento sexual regular sem qualquer protecção”. A sua incidência não só perturba gravemente o bem-estar individual e familiar, pela morosidade dos tratamentos e pelas frustrações e insegurança sentidas, como também dificulta a inserção dos casais na sociedade.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6397923)


