Participação no Novo Acelerador Está em Risco 28 Setembro

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A menina dos olhos do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) vai ser o acelerador Large Hadron Collider (LHC). Não haverá máquina igual, o que torna o laboratório um local de trabalho único e apetecível para cientistas de todo o lado. Exemplo disso são os EUA: não são membros, mas têm um acordo de colaboração com o CERN e participam no LHC. Portugal também participa, e os moldes em que o faz foram assinados em 1996: para tal, pagaria uma certa quantia, seguindo um calendário até 2007. Mas esse calendário está esquecido.



Graças ao acordo de 1996, o mais potente acelerador de partículas do mundo vai ter mão portuguesa na concepção e construção de componentes de duas experiências nos seus enormes detectores – o CMS e Atlas, que vão analisar o resultado de colisões de partículas, para continuar a desvendar os segredos da matéria. E, ao mesmo tempo, recriar os instantes iniciais do Universo, fracções de segundo após o Big Bang, onde nasceu a matéria e a energia.


Agora, a participação portuguesa no LHC está em risco. Em 2003 começaram os problemas. Por exemplo, para o CMS, no qual colaboram 25 cientistas portugueses de várias instituições, coordenados por João Varela, do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, havia o compromisso de pagar 2,8 milhões de francos suíços (1,8 milhões de euros), no total. Da contribuição, 400 mil francos (264 mil euros), para o fundo comum da experiência, já foram saldados, em dinheiro. O restante – 2,4 milhões de francos suíços, ou 1,5 milhões de euros – seriam pagos em equipamentos desenvolvidos pelos investigadores e indústria portugueses.


De 1996 a 2002, as verbas foram transferidas sem percalços. Mas as de 2003 e 2004 (700 mil francos suíços ou 452 mil euros) ainda não chegaram às equipas, que iam começar a construir protótipos. “Corremos o risco de não ter financiamento para construir a instrumentação que nos responsabilizámos a construir”, alertava o físico em Junho.


“As consequências podem ser muito desagradáveis”, dizia. Mais do que comprometer o do LHC, a credibilidade portuguesa ficará de rastos. Basta ver que na construção do CMS participam 2500 cientistas de 160 instituições, de 37 países. Também no Atlas, cuja participação portuguesa é coordenada por Amélia Maio, do LIP e da Universidade de Lisboa, colaboram 1800 investigadores de 150 instituições e 34 países.


“É impensável que Portugal não respeite este compromisso. Seria um golpe demasiado rude na credibilidade da ciência portuguesa. Os 2500 cientistas que participam no CMS não se privariam de espalhar a notícia. Se não formos nós a solucionar o problema, a nossa credibilidade baixa a um ponto mínimo. Ninguém vai querer colaborar com uns tipos que não cumprem os compromissos.”


Para Paula Bordalo, da equipa do CMS, o desaparecimento do grupo português do acelerador causará apenas um pequeno atraso no desenvolvimento das experiências. “Como somos um pequeno grupo, há-de aparecer um grupo de outro país que cobre logo o nosso espaço, e então adeus.”


FONTE: Público

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