Faróis inactivos poderão vir a ser hóteis e museus, propõe historiador 28 Setembro

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A instalação de museus, hotéis de charme e pousadas em faróis desactivados pode ser uma alternativa para reaproveitar estes espaços, segundo o historiador Joaquim Boiça, que falará sobre os “candeeiros do mar”, quarta-feira, em Lisboa.

Como explicou o investigador à Agência Lusa, com a crescente automatização, surgem interrogações quanto à utilidade destas estruturas que “passam a ser edifícios despidos de função”, colocando o “problema de que fazer com eles, com a maquinaria e com os faroleiros e suas famílias”.



Na opinião de Joaquim Boiça, é preciso seguir exemplos estrangeiros e traçar estratégias que permitam reaproveitar o espaço dos faróis, num esforço conjunto entre o Estado, proprietário dos faróis, e o investimento privado, já que, como justifica o historiador, “estão em locais deslumbrantes e apelativos ao investimento”. “Os faróis são marcas simbólicas do nosso litoral que deviam ter sido classificados como edifícios com interesse patrimonial”, sugere ainda o investigador, exemplificando com o Farol de Aveiro, que é o mais alto da Europa.


Contactado pela Agência Lusa, Manuel Lacerda, do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) adiantou que o instituto pretende iniciar em breve um “levantamento sistemático da história dos faróis portugueses, com o objectivo de definir critérios para a sua protecção e salvaguarda”. O historiador, filho, neto e bisneto de faroleiros, sublinhou ainda a importância dos faróis como “espaços onde se entrecruzam múltiplos cenários históricos que estão por estudar”, salientando o contributo destas estruturas para o conhecimento dos primórdios da industrialização e da automatização.


“Tenho-me cruzado com os faróis e a sua história e o ponto de partida da minha intervenção é um paradoxo. Os faróis como espaço de fascínio e de atracção têm inspirado muitos poetas e artistas, mas não são um tema abordado por historiadores de forma sistemática”, e sim numa óptica romântica-informativa e técnica, acrescentou. Desde sempre que os faróis são testemunhos da história da ciência óptica, das aplicações da luz, da experimentação de materiais e das técnicas de construção, representando ainda um “desafio para arquitectos e engenheiros”, por serem estruturas altas e de interior oco, explicou Joaquim Boiça.


Actualmente, os 51 faróis existentes em Portugal continental e ilhas têm vindo a perder importância para a navegação comercial e de guerra, perante a utilização dos novos métodos como o sistema de posicionamento por satélite (GPS). Assim, sob o mote “Faróis portugueses: memórias do passado, desafios do presente”, Joaquim Boiça será o “comandante” que na próxima quarta-feira, pelas 18:00, na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, toma conta do leme para “navegar” pelo processo histórico de constituição dos faróis portugueses e “lançar um olhar sobre questões patrimoniais e desafios que os faróis portugueses representam”.


Esta intervenção integra um ciclo de conferências organizadas pelo IPPAR sob o tema “Outros Patrimónios”, onde se pretende reflectir e debater sobre as facetas do património menos conhecidas do grande público.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6378084)

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