Congresso de Coimbra com 1.500 participantes, metade do Brasil 16 Setembro

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Um milhar e meio de investigadores, metade originários do Brasil, participam no VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, a realizar em Coimbra entre quinta-feira e sábado.

Esta edição, que praticamente triplica a maior participação de cientistas sociais neste congresso, que aconteceu em 2002 no Brasil, é encarada pela organização como “um êxito”, dado o nível de adesão.



Para Elísio Estanque, presidente da comissão organizadora, a expectativa é de “que se traduza num impulso muito grande” ao estabelecimento e consolidação de redes de investigação e de contactos multilaterais. O grande nível de adesão é, na sua opinião, um sinal da importância crescente que é atribuída ao Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Por outro lado, o facto de Portugal fazer parte da União Europeia tem contribuído para esse movimento.


O trabalho de investigação que ao longo dos anos o sociólogo Boaventura de Sousa Santos tem desenvolvido no Brasil, e o prestígio que aí granjeia, tem contribuído para cimentar o interesse pelo congresso, organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, a que preside aquele sociólogo, acrescentou Elísio Estanque.


Sob o tema genérico “A questão social no novo milénio”, o congresso está estruturado em 18 áreas temáticas e em três sessões plenárias sobre política e cidadania, violência, justiça e desigualdades sociais e riscos e saúde. Movimentos sociais, trabalho, cultura, língua e literaturas, migrações, diáspora, desporto, lazer, saúde, medicina e religiosidades são alguns dos temas a desenvolver nas 18 áreas temáticas.


Durante o congresso serão também realizados 79 painéis de grupos de discussão, sobre as temáticas mais diversas, nomeadamente sobre a orientação sexual e identidade do género, reformas do Estado Providência e dinâmicas da participação política de cidadãos lusófonos. As religiões transnacionais, comunicação social, família, políticas educativas para a educação sexual, educação intercultural, prisões e reinserção social, movimentos estudantis, produção do conhecimento na periferia e experiências locais de construção da paz, são outros temas dos painéis.


Para o investigador, e professor da Faculdade de Economia de Coimbra, a questão social tem suscitado discussão e preocupação desde o século XIX, centrando a sua análise nos aspectos laborais e sua precariedade, que agora carecem de uma abordagem mais abrangente. A conferência de abertura do congresso, às 10:00 de quinta-feira, é da autoria do ministro da cultura do Brasil, Gilberto Gil, mas será lida pelo responsável da Secretaria de Formulação e Avaliação de Políticas Culturais, Paulo Miguéus.


Nas sessões plenárias participarão Boaventura de Sousa Santos, Manuel Villaverde Cabral (ambos de Portugal), Renato Lessa e Emir Sader (ambos do Brasil), Carlos Lopes (Guiné-Bissau), André Sango (Angola) e Gita Honwana Welch (Moçambique).


O VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais é organizado pelo CES da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, que desde 1990 os vem promovendo em diversos países do espaço lusófono (Portugal, Brasil e Moçambique). Segundo Elísio Estanque, no próximo sábado será apresentada à assembleia de congressistas a proposta de realização da próxima edição em Angola, que deverá acontecer em 2006.


FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6354602)

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