Próximo Lançamento de Um Foguetão Ariane Poderá Ser Seguido da Ilha de Santa Maria 14 Setembro
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O Governo português está a negociar com a Agência Espacial Europeia (ESA) a possibilidade do próximo lançamento de um foguetão Ariane, marcado para Maio do ano que vem, ser monitorizado e seguido a partir da ilha de Santa Maria, nos Açores. Esta etapa é essencial para que tanto o Governo português como a ESA saibam se aquela ilha cumpre as expectativas estratégicas da agência, que fariam com que ali nascesse uma base de monitorização dos lançamentos dos Ariane, que são feitos a partir de Kourou, na Guiana francesa, na América do Sul.
O projecto é falado já há mais de um ano, mas ainda não foi assinado o acordo entre Portugal e a ESA, apesar das negociações, que já implicaram inclusivamente visitas ao local, estarem a correr bem. Um primeiro passo nesse sentido poderá ser dado em Novembro, noticiou a agência Lusa, com a assinatura de um protocolo para criar uma estação de monitorização de satélites em Santa Maria.
Se Santa Maria cumprir as expectativas estratégicas traçadas pela ESA, a ilha açoriana poderá vir a ter, dentro de alguns anos, uma estação de monitorização dos voos de foguetões Ariane, e que poderá servir também para a aterragem de partes da próxima geração de lançadores, que a ESA espera tornar reutilizáveis, ao contrário do que hoje acontece.
A hipótese da ESA criar um centro na ilha de Santa Maria, nos Açores, é já apontada como possível há mais de um ano. O primeiro anúncio desta hipótese foi feito em Maio do ano passado pela ministra Maria da Graça Carvalho, na altura presidente do Gabinete de Relações Internacionais da Ciência e do Ensino Superior.
Na altura, com as negociações entre Portugal e a ESA ainda em fase embrionária, a prioridade ia para o estudo de viabilidade do projecto, que contemplava uma base de recepção de partes dos foguetões que seriam sempre lançados da histórica base da Guiana francesa, na América do Sul, fronteiriça com o Brasil, onde são feitos lançamentos desde 1968 às mãos da França, ainda antes da constituição da agência espacial, da qual Portugal é membro de pleno direito desde 2000. “A ESA está a trabalhar num projecto de lançadores reutilizáveis, e isso significa que tem de haver um local de lançamento e outro de aterragem. E a Guiana não tem estrutura para isso”, disse Graça Carvalho,
Mesmo sem o estudo terminado, Graça Carvalho disse à Lusa que a base de Santa Maria será uma realidade, talvez em 2008. Mas desta data está dependente da satisfação da ESA, depois de feitos os primeiros ensaios.
Esta futura base de monitorização na ilha de Santa Maria receberia também uma estação de monitorização do projecto Galileu. A constelação de 30 satélites de navegação e orientação, semelhante ao actual GPS norte-americano mas apenas com fins civis, é um projecto orçamentado em quase 3,5 mil milhões de euros e é um dos objectivos mais ambiciosos da ESA.
O Galileu deverá ter duas estações de controlo na Europa, mas uma imensa rede de pequenos centros de monitorização, de funcionamento automático, controlados remotamente, diz a Lusa. É um desses centros automatizados que a ESA pretende instalar em Santa Maria e para o qual já endereçou o convite a Portugal. O processo de distribuição destas estações passará agora por concurso, que terá início este ano.
Os primeiros satélites do sistema de navegação por satélite Galileu só deverão começar a ser lançados para o espaço em 2005. E em 2008 prevê-se que as estações comecem a monitorizar a actividade do sistema de navegação, ainda numa fase primária. O Galileu deverá estar pronto em 2010.
A ministra da Ciência e do Ensino Superior, responsável do Governo pelas negociações, garante que já foi recebido quase todo o retorno de investimento feito na ESA por Portugal. O investimento pode ser recuperado através de empresas portuguesas com projectos que sirvam o Galileu. Mas a ministra reconhece que a maior parte desses projectos são de empresas de “software”, chamando a atenção para o investimento que também tem de passar pelos projectos na área do “hardware”.
FONTE: Público


