Galileu: Portugal convidado a participar com estação, decisão ainda este ano 12 Setembro

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Portugal foi convidado a receber uma estação de satélites do projecto Galileu, o maior em que a União Europeia está envolvida, e já manifestou a intenção de a receber, podendo a escolha recair na ilha de Santa Maria.

O programa Galileu, um projecto civil da UE e da Agência Espacial Europeia (ESA) que vai concorrer com o militar norte- americano GPS, inclui o lançamento de 30 satélites e custa entre 3,2 e 3,4 mil milhões de euros.

Devendo estar operacional a partir de 2008, pode criar numa primeira fase cerca de 100 mil novos empregos.

O Galileu é um sistema de navegação global por satélite, sob controlo civil (ao contrário do americano GPS – Posicionamento Global por Satélite, e do russo Glonass, que são militares) que será muito mais fiável do que os dois sistemas que existem actualmente.

O Galileu vai permitir a cada utilizador, desde que equipado com um receptor, receber sinais dos satélites e determinar a sua posição exacta no espaço, com uma margem de erro inferior a um metro, e no tempo, com uma margem de erro inferior a 50 nanosegundos (50 bilionésimos de segundo).

Além dos satélites o projecto compreende duas estações de controlo, na Europa, e duas redes de outras, automáticas e controladas remotamente. Será uma dessas que poderá ser construída em Santa Maria, nos Açores, segundo a ministra da Ciência.

O convite foi feito a Portugal há alguns meses e o governo já manifestou o seu interesse, convidando mesmo para uma visita o responsável na ESA pelos programas industriais, o italiano Giuseppe Viriglio.

Artur Ventura, engenheiro português delegado da ESA, em entrevista à Agência Lusa explica que o Galileu terá aplicações por exemplo na aviação comercial, que actualmente não usa o sistema GPS por ser militar e por ser pouco fiável.

“Quem tiver um receptor Galileu tem a certeza de integridade, ou seja, se houver um erro na informação receberá uma mensagem de erro no máximo seis segundos depois”, segundo Artur Ventura, um dos especialistas portugueses no projecto Galileu.

O Galileu começou a ser pensado há mais de 10 anos e terá aplicações na aviação civil, na navegação, incluindo entradas e saídas de portos, nos transportes ferroviários e rodoviários (gestão de frotas) e no tráfego automóvel, entre outras.

Dentro de menos de uma década, exemplifica Artur Ventura, as próprias portagens podem desaparecer fisicamente, porque os satélites podem gerir a entrada e saída de veículos em zonas de pagamento.

“Outra das aplicações possíveis é drástica: um país pode tornar obrigatório que todos os veículos tenham um receptor Galileu ligado a uma caixa negra de controlo automático de velocidade. Assim se um carro entrar numa zona de velocidade máxima de 30 quilómetros será impossível fazê-lo andar nem que seja a 31″.

Esta experiência, segundo Artur Ventura, já foi feita em Inglaterra, embora com muitas reclamações.

Mas, de acordo com o especialista, as aplicações do Galileu são inúmeras. “Não há limite”, com o Galileu a vida não voltará a ser a mesma, garantiu.

O concurso público para os candidatos a construírem estações Galileu vai ser lançado ainda este ano, devendo o primeiro satélite Galileu ir para o espaço no primeiro trimestre de 2005, este ainda apenas para assegurar as frequências que a Europa pediu para operar o sistema.

Maria da Graça Carvalho, ministra da Ciência, acredita que o espaço e a tecnologia envolvente é dos sectores que mais emprego vai gerar no futuro, sendo o Galileu um exemplo de como se usa o espaço ao serviço das pessoas e da economia dos países.

“O Galileu pode ajudar cegos, pode gerir o tráfego ou as emissões de poluição. Mas também questões ligadas com os oceanos, com os navios, a protecção civil, a prevenção e controlo de catástrofesÓ”, exemplifica.

Quanto ao preço do projecto, 3,2 a 3,4 mil milhões de euros, Maria da Graça Carvalho diz que é menos do que custa a construção de uma ponte entre a Dinamarca e a Suécia, ou a perfuração do túnel principal da futura ligação ferroviária de alta velocidade entre Lyon e Turim, ou mesmo que a construção to Terminal 5 do aeroporto de Heathrow.

“E depois dará 100 mil novos empregos até 2010 e prevê-se um retorno na economia de 10 mil milhões de euros”, afirma a ministra.

Para Maria da Graça Carvalho, “chegou a altura de a Europa investir em áreas de inovação e formação avançada, que tenham retorno na economia”.

E depois, porque a Europa “está construída”, o espaço é agora uma área prioritária para o continente.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6333685)

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