Galileu: Inércia portuguesa pode levar a perdas avultadas, alerta especialista 12 Setembro
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Portugal contribuiu com cinco milhões de euros para o projecto EGNOS e com 6,5 milhões no Galileu, dois programas de navegação por satélite, mas corre o risco de perder dinheiro por falta de investimentos, alerta um especialista.
Artur Ventura, delegado de Portugal na ESA, Agência Espacial Europeia, explicou à Agência Lusa que os investimentos de cada país na ESA podem ser recuperados com a adjudicação de empreitadas a empresas nacionais.
Portugal, no entanto, não está a recuperar o investimento por falta de empresas portuguesas que concorram a projectos da ESA, alerta o responsável.
“A única capacidade que se tem vislumbrado é no domínio do software, infelizmente só mesmo empresas de software, não há mais ninguém nem se vislumbra alguém que o possa fazer”, lamenta.
Portugal tem, nesta matéria, “um atraso muito grande”, porque já quase todos os países da Europa “se meteram no espaço, um sector que para eles hoje já é rentável”.
A falta de interesse das empresas portuguesas pode dever-se, defende, ao facto de os investimentos neste sector só serem rentáveis a médio e longo prazo.
A China, que não pertence à Europa nem faz parte da ESA, fez questão de participar no projecto Galileu, um projecto de navegação global por satélite que vai custar 3,2 a 3,4 mil milhões de euros e que dará emprego numa primeira fase a 100 mil pessoas.
Dando o exemplo da China para explicar a importância do Galileu, o responsável sugere que as empresas portuguesas se virem para o espaço, e cita o caso das OGMA, que manifestaram essa intenção mas que até agora “ainda não se viu nada”.
Maria da Graça Carvalho, ministra da Ciência, tem uma perspectiva mais optimista e diz mesmo que dos 6,5 milhões de investimento no Galileu já quase todos retornaram.
No EGNOS, um projecto anterior ao Galileu para melhorar o sistema americano GPS (sistema de posicionamento global, por satélite) o retorno terá sido menor.
Porém é um retorno “pouco industrial”, reconhece a ministra, confirmando que o interesse português é sobretudo de empresas de software.
Portugal, diz o governo, tem um bom ensino nestas matérias, reconhecido a nível internacional, “e pequenas empresas muito competitivas que hoje ganham concursos na ESA”.
“Mas temos de investir na área do hardware, temos de dar o salto, a Espanha já fez esse caminho partindo de um ponto semelhante ao nosso, e nós ainda não”, avisa a ministra.
As instalações das OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico) poderão ter um aproveitamento ilimitado, sugere, frisando que a curto prazo é preciso dinamizar a parte industrial e motivar as empresas portuguesas para esta matéria, “porque há muitos sectores tradicionais que ainda não deram o salto tecnológico”.
“O retorno não é só ir buscar o dinheiro, deve ser uma porta de entrada para a internacionalização. Era importante que sectores metalomecânicos conseguissem dar esse salto, há também sectores como o dos vidros especiais, a cortiça, até o vestuário”, afirma Maria da Graça Carvalho.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6336619)


