Cancro: Instituto Francisco Gentil desenvolve projecto inovador de diagnóstico 19 Agosto
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Investigadores do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (IPOFG) estão a desenvolver um projecto inovador de diagnóstico e seguimento de doentes com cancro que poderá substituir os métodos tradicionalmente utilizados e avançar no conhecimento sobre determinados tumores.
O projecto arrancou em Janeiro de 2004 e recorre às mais recentes tecnologias de chips de ADN (onde estão imobilizadas amostras de milhares de genes), permitindo aos investigadores descobrir que genes estão activados num determinado tumor.
Alguns destes genes poderão servir como novos marcadores para determinado tipo de cancro, complementando a informação de diagnóstico e monitorização terapêutica obtida actualmente através das técnicas de observação de tecidos e células.
À Agência Lusa, Sérgio Dias, director científico do Centro de Investigação de Patobiologia Molecular (CIPM) que coordena o projecto, explicou que o trabalho poderá contribuir para saber mais sobre as patologias estudadas (tumores da tiróide, leucemias, linfomas, tumores das glândulas salivares, cólon e recto). “As patologias que escolhemos têm um interesse investigacional por detrás, pois em termos de investigação há muito pouca coisa feita, ao contrário do cancro da mama, por exemplo”, disse, sublinhando ainda o interesse que o trabalho tem para o IPOFG e a nível nacional.
O primeiro passo é “provar que a tecnologia funciona e tem interesse”, pelo que está a ser aplicada em amostras de tumores em arquivo, continuou. “Queremos validar a tecnologia antes de aplicá-la em novos doentes”, sustentou o investigador em declarações à Lusa. A grande vantagem da tecnologia de chips de ADN é que permite estudar vários genes ao mesmo tempo, em vez de apenas um ou dois, como se fazia até há cerca de cinco anos. Assim são obtidos mais dados, com informação mais exaustiva, de cada análise, indicou Sérgio Dias.
Como o cancro é uma doença de múltiplos factores, que envolve interacções entre vários genes e entre estes e factores ambientais, os chips de ADN permitem, numa única experiência, identificar todos os genes cuja função está alterada, de acordo com o IPOFG. Além disso, no caso dos tumores da tiróide, por exemplo, a tecnologia de chips de ADN “permitirá distinguir casos benignos e malignos, antes de definido qualquer tratamento”, facilitando a decisão de seguir ou não para cirurgia ou optar por outra forma de tratamento. Em relação aos tumores do cólon e do recto e aos que se desenvolvem nas glândulas salivares, a metodologia “permitirá encontrar novos marcadores moleculares que poderão ser utilizados para diagnosticar e classificar os vários subtipos de tumores e o processo que leva à transformação de um tumor benigno em maligno”.
“A nossa pretensão é tornar esta tecnologia numa prática clínica corrente (Ó) Em termos clínicos para compreender a patologia é preciso ter muitos níveis de informação, de medição do doente”, explicou Sérgio Dias à Lusa. Para o investigador, com a nova tecnologia será finalmente possível enfrentar um dos maiores desafios na investigação e monitorização de doentes com cancro: compreender o cancro como uma doença de múltiplos factores que envolve inúmeras interacções moleculares e celulares.
O projecto é financiado pelo Serviço de Saúde da Fundação Calouste Gulbenkian por um período de três anos. A execução e análise preliminar dos chips de ADN realiza-se no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, onde a tecnologia está instalada. Os resultados são depois interpretados e aplicados em estudos posteriores pelos investigadores do IPOFG.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6278704)


