Geomorfólogo Português Vai Fazer Estudo Sobre o Clima em Glaciar do Alasca 15 Agosto

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Reconstruir a dinâmica glaciar, os avanços e retrocessos, durante os últimos 4000 anos, para saber como se comportou o clima e tentar prever as tendências climáticas nos próximos 200 a 300 anos. É este o pulsar da investigação que no princípio do próximo mês levará três investigadores, dois portugueses e um americano, ao Alasca. A revista “National Geographic” premiou o projecto com uma bolsa de 10 mil dólares.


João Santos, geomorfólogo e professor em várias universidades dos EUA; Lúcio Cunha, catedrático de Geografia e director da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; e Greg Wiles, especialista em geomorfologia glaciar, da Universidade de Wooster, Ohio estarão no Alasca uma a duas semanas para recolher o máximo de informação possível. Depois, espera-os trabalho que deverá estender-se por um ano.



“Se conseguirmos reconstruir o clima, através da dinâmica dos glaciares, podemos fazer modelos para o futuro em termos climáticos”, explica João Santos. As perguntas estão, portanto, lançadas: “Será que estamos numa época em que o clima aquece por uma consequência natural, ou seja, faz parte do sistema da Terra, ou tem a ver também com a poluição atmosférica?” Questões que marcam a actualidade científica e que desaguam no aquecimento global, no derretimento dos glaciares, no avanço do nível do mar, e que, naturalmente, muito interessam à “National Geographic” – que, por financiar este projecto de investigação, é “dona” das conclusões e das fotografias que poderão sair nas suas páginas.


Os três investigadores vão usar várias técnicas para a reconstrução do clima dos últimos quatro milénios. Uma passa por analisar a posição das moreias, que são uma espécie de montes formados por sedimentos, sobretudo areias e pedras, que os glaciares arrastam quando retrocedem. “As moreias permitem saber onde o glaciar se encontrava, a distância que retrocederam, como era o clima.” Outra estratégia é recorrer à dendrocronologia, ciência que estuda os anéis de crescimento das árvores e que permite conhecer as condições ambientais em que cresceram. “No Alasca, o factor que determina o crescimento das árvores é a temperatura e quando os glaciares retrodecem, as árvores colonizam moreias.”


Para o tratamento dos dados, Greg Wiles contribuirá com o laboratório de dendrocronologia da Universidade de Wooster, enquanto a Universidade de Coimbra, através do Sistemas de Informação Geográfica (SIG), utilizando imagens de satélite e GPS, apoiará na elaboração do mapa cronológico da região.


FONTE: Público

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