Livro sobre Cascais revela faceta republicana do concelho 2 Agosto
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O historiador João Miguel Henriques afirma no seu livro “Cascais 1908-1914″, a apresentar sábado em Cascais, que a proclamação da República foi um estímulo ao desenvolvimento daquela região contrariando teses anteriores.
Segundo o autor de “Cascais. Do final da Monarquia ao alvorecer da República (1908-1914)”, a sua investigação permitiu a recolha de dados “que contrariam a teoria de que neste lapso cronológico se assiste a uma retracção da dinâmica concelhia”.
Entre o desenvolvimento local refira-se a opção empresarial pelo turismo, liderada por Fausto Figueiredo, que surgiu precisamente em 1914 quando as instituições republicanas começam a estabilizar. Por outro lado, a investigação de João Miguel Henriques revela que a adesão ao ideal republicano no concelho, foi maior do que até aqui se supunha, não se restringindo apenas à freguesia de Parede. Na realidade, como afirma o ex-vereador da Cultura José Jorge Letria, no prefácio, é neste período “que as estruturas daquilo que chamamos sociedade civil melhor se implantaram e enraizaram na vida quotidiana”.
O livro a apresentar, sábado, na Feira do Livro de Cascais a decorrer no Jardim Visconde da Luz, é uma síntese da tese de mestrado que João Miguel Henriques apresentou em 2001 e com a qual obteve o grau de Mestre em História Contemporânea, pela Universidade de Lisboa. Esta obra surge na área da História Local e Regional “frequentemente desvalorizada”, como nota o historiador António Ventura num texto de abertura. Todavia, “só com o recurso aos estudos locais será possível elaborar um quadro mais completo, mais geral que nos permita compreender a História de Portugal”, salienta o historiador.
O livro de João Miguel Henriques, co-editado pela Câmara de Cascais e pelas Edições Colibri, utiliza essencialmente fontes locais, nomeadamente, documentos manuscritos do Arquivo Histórico cascalense. João Miguel Henriques tem já publicados entre outras as obras “Jornal de Cascais e A Voz do Povo: subsídios para o estudo da competição entre elites locais no concelho de Cascais (1911-1912)” e “História da freguesia de Cascais: 1870-1908″.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6226201)


