Cientistas Portugueses Vão em Busca dos Vulcões de Lama 25 Julho

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Nem todos os vulcões deitam lava. Há os que expelem lama – ou melhor, materiais argilosos – carregados de gases vindos do interior da Terra. Existem em várias partes do mundo e, também, na margem sul de Portugal Continental e no golfo de Cádis, onde o primeiro vulcão de lama foi descoberto em 1999. Para estudá-los, parte hoje para lá uma equipa de cientistas portugueses, a bordo do navio russo “Professor Logachev”.


Até 10 de Agosto, quando terminar o cruzeiro científico, a equipa vai revisitar alguns dos 29 vulcões de lama submarinos já descobertos no golfo de Cádis, tanto na parte espanhola como marroquina, e na margem sul de Portugal Continental (ver mapa). Mas também irá visitar estruturas identificadas como candidatas a vulcões de lama, no decurso de uma missão do navio oceanográfico português “D. Carlos I”, em meados de Junho, graças a um equipamento novo – um sistema sondador multifeixe, que, por impulsos acústicos, obtém imagens de elevada resolução da morfologia, ou batimetria, do fundo do mar.



Desta vez, a equipa portuguesa não usará um sondador multifeixe, mas continuará a basear-se em meios acústicos para “ver” os vulcões de lama, como o sondador de varrimento lateral de alta resolução. Fará ainda perfis de reflexão sísmica, imagens vídeo do fundo do mar e recolherá amostras de sedimentos e gases.


O interesse pelos vulcões de lama do golfo de Cádis surgiu em 1999, quando Joan Gardner, do Laboratório de Investigação Naval, em Washington, nos EUA, fez ali um cruzeiro científico, também no “Professor Logachev”. Por sinal, iam a bordo Luís Menezes Pinheiro, geofísico da Universidade de Aveiro, e o geólogo Hipólito Monteiro, do então Instituto Geológico e Mineiro (IGM), no âmbito de um projecto que estudava certas estruturas geológicas na margem oeste portuguesa (como os canhões submarinos do Tejo e do Sado).


Daí, o navio seguiu para o golfo de Cádis, para que Gardner estudasse umas estruturas circulares que a investigadora havia identificado, em dados recolhidos em 1992. Para muita gente, essas estruturas eram montes de sal. Era o caso dos russos, já familiarizados com os vulcões de lama, tanto em terra – os do Azerbaijão, espectaculares pelas enormes labaredas, devido à inflamação espontânea do gás metano – como na água, no mar Cáspio (onde aliás foram observados os primeiros vulcões de lama marinhos, em 1979), no mar Negro ou no golfo do México.


“Mas ela estava convencida de que eram vulcões de lama. E eram”, lembra Luís Menezes Pinheiro, coordenador do projecto que vai estudar os vulcões de lama. Além dele, vão a bordo investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, do Departamento de Geologia do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (onde foi integrado o IGM) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, do Porto. Há ainda a participação directa de cientistas espanhóis, belgas e franceses e a colaboração de alemães e ingleses. Iniciado há um ano e com a duração total de quatro, este projecto foi aprovado pela Fundação Europeia de Ciência e financiado pela UNESCO, em parte, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia portuguesa.


Ao primeiro vulcão de lama no golfo de Cádis deu-se o nome de Yuma, o local onde nasceu, nos EUA, Joan Gardner. Durante esse cruzeiro, descobriram-se mais quatro: Ginsburg, Kidd, Adamastor e São Petersburgo. Adamastor? Porque Hipólito Monteiro nasceu no Alto de Santa Catarina, em Lisboa, onde está uma estátua do Adamastor.


Luís Pinheiro começou então a colaborar com Joan Gardner, que lhe facultou dados sobre a margem portuguesa. Ao todo, já houve oito cruzeiros científicos, sempre com participação ou coordenação portuguesa. Entre os 400 metros e os 3200 metros de profundidade, os 29 vulcões, em águas territoriais de Portugal, Espanha e Marrocos, podem atingir os quatro quilómetros de diâmetro e algumas centenas de metros de altura.


FONTE: Público

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