Lesões físicas podem impedir emoções 16 Julho

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Falta de compaixão, de vergonha ou medo levam algumas pessoas a actos socialmente não aceites. Algumas vezes, a impossibilidade de sentir essas emoções deve-se a problemas físicos.

De acordo com António Damásio, investigador e professor na Universidade de Iowa, Estados Unidos, a neurociência permite identificar determinadas áreas do cérebro como as responsáveis pela vivência de emoções concretas.

A lesão da amígdala (zona do cérebro), por exemplo, pode impedir que o paciente consiga sentir medo, assim como danos na zona ventromedial do lóbulo pré-frontal bloqueiam a vivência de emoções sociais como a vergonha, a simpatia ou a compaixão. Na conferência “A Biologia das Emoções”, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, António Damásio, o autor da obra “O Erro de Descartes” explicou os fundamentos neurológicos dos sentimentos e a sua repercussão em zonas específicas do organismo. Esta relação entre o biológico e o emocional permite “desenhar” uma espécie de mapa cerebral dos sentimentos, que poderá ser fundamental no tratamento de diversas doenças como a depressão ou as dependências, referiu o professor.

Além disso, os avanços da “neurologia das emoções” podem ter também uma importante aplicação sociológica, permitindo uma maior compreensão do ser humano, nomeadamente ao ajudar a perceber “a forma como se estabelecem as convenções sociais e os conflitos que originam as guerras”. Apesar de a ciência estar cada vez mais próxima da constituição do tal mapa, estabelecendo relações directas entre sentimentos e
zonas do organismo, António Damásio ressalvou que “o cérebro não pode ser concebido como um conjunto de módulos que permitem recriar emoções, pondo e tirando peças”.

“O cérebro é muitíssimo complexo e confuso. Não tem nada a ver com um computador ou com um objecto criado por um engenheiro, mas com algo desenvolvido ao longo de milhões de anos pela engenharia da Natureza”, explicou. A palestra dada por António Damásio integra-se no ciclo de colóquios “Despertar para a Ciência” organizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

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