Próximo governo deve apostar no emprego científico 10 Julho
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O físico Carlos Fiolhais lançou hoje um apelo ao próximo governo para que este aposte na criação de emprego científico para os jovens, que permitirá renovar a ciência em Portugal e evitar a “fuga de cérebros”.
“O emprego científico é crucial: são os jovens que podem permitir renovar a ciência, eles é que são a criatividade na ciência, são a base do sistema científico”, sublinhou o professor da Universidade de Coimbra (UC), em declarações à Lusa a propósito do IV encontro do Fórum Internacional dos Investigadores Portugueses (FIIP), que começa segunda-feira.
Recusando pronunciar-se sobre a política do executivo cessante no domínio da investigação, o presidente da comissão científica do evento defendeu que, para consolidar o desenvolvimento científico, é preciso que as estruturas de apoio à investigação se mantenham, independentemente das mudanças de governo. A ciência “deve estar acima das flutuações governamentais”, sublinhou. “Não temos ainda um esquema de investigação normal. Quando cai um governo, as estruturas de apoio à investigação devem manter-se, como acontece noutros países”, afirmou, vincando a importância de uma “atmosfera que excite a criatividade na ciência”.
Cerca de 200 investigadores nascidos em Portugal mas a trabalhar no estrangeiro e investigadores nacionais a desenvolver a sua carreira no país participam nesta quarta edição do FIIP, subordinada ao tema “Ciências Básicas e Engenharias: Investigação, Ensino e Impacto na Sociedade”. Os domínios da matemática, física, química e engenharia (robótica e áreas relacionadas) são os tópicos em discussão no encontro, que decorre até quarta-feira no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, reunindo a “diáspora dos cientistas portugueses”.
O físico Manuel Paiva, da Faculdade de Medicina da Universidade Livre de Bruxelas, profere a conferência de abertura, enquanto a intervenção do encerramento está a cargo do neurocientista Fernando Lopes da Silva, da Universidade de Amesterdão. Segundo Carlos Fiolhais, Manuel Paiva deverá falar sobre o contributo português para a Estratégia de Lisboa. Já Fernando Lopes da Silva – Prémio Universidade de Coimbra 2004 – vai pronunciar-se sobre questões relacionadas com o cérebro, perspectivando o póximo encontro do Fórum, eventualmente dedicado à temática das ciências da vida.
Esperada na sessão de abertura do evento, a ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, terá – segundo Carlos Fiolhais – uma “oportunidade magnífica” para explicar os novos modelos para o investimento em investigação bem como a criação de incentivos ao regresso de investigadores portugueses no estrangeiro e à permanência dos investigadores nacionais em Portugal. O programa do encontro, com participação livre após o encerramento do período de inscrições, anuncia também mesas-redondas subordinadas aos temas “Universidade e o Ensino das Ciências Básicas”, “Relações Científicas Portugal/França” e “Nanotecnologias”.
Presidido por Irene Fonseca, matemática da Universidade de Carnegie-Mellon (Pittsburgh – EUA), o FIIP pretende proporcionar “um espaço de comunicação, divulgação e aproveitamento do potencial e recursos científicos portugueses, dentro e fora de Portugal”. Visa ainda “prestar um serviço que estimule a organização, a mobilidade e a internacionalização da comunidade científica portuguesa espalhada pelo mundo”
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6180118)


