Estudantes Portugueses Realizam Voos Parabólicos 9 Julho
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Duas equipas de estudantes do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto completaram, em Bordéus, dois pares de voos parabólicos, promovidos pela Agência Espacial Europeia (ESA), que lhes permitiu realizar experiências científicas em ambiente de microgravidade.
A equipa “The Space Sailors”, composta por José António Pais, Liliana Novais, Mariana Seabra e Vítor Botelho, e coordenada por Ariel Guerreiro, propunha-se detectar e analisar fugas de gás em microgravidade. A fuga de gás foi simulada por um jacto e os estudantes esperavam que este subisse com a falta de gravidade. Confirmou-se. “Saiu disparado”, conta Vítor Botelho, “subiu mais do que pensávamos.” Os dados recolhidos serão agora alvo de uma análise mais aprofundada, garantiu o estudante, ainda em França.
A outra equipa portuguesa a voar em microgravidade encontrou mais dificuldades para concluir a experiência. O projecto da equipa Física-Porto (João Freire de Andrade, João Vieira Gomes, Luís Fernandes e Tiago Fonseca) consistia na observação do comportamento de líquidos em ausência de gravidade, mas a turbulência do descolar e do pousar do avião originou algumas fissuras nos reservatórios de água. Isto levou ao derramamento de líquidos, no primeiro voo a que tinham direito.
Mas, durante a noite, explica Luís Fernandes, conseguiram resolver o problema e no final o resultado foi positivo. “Conseguimos fazer quase tudo o que desejávamos.” Este projecto foi coordenado pelo professor Hélder Crespo. Os dois projectos portugueses faziam parte das 32 propostas aprovadas (num total de 140 concorrentes) pela ESA, no âmbito da Campanha de Voos Parabólicos para Estudantes – um projecto anual, promovido desde 1998, que se dirige a estudantes universitários da União Europeia e Canadá. A ausência de gravidade foi simulada num avião especial Airbus A300.
A gravidade zero é atingida quando o avião se coloca numa trajectória suborbital, permitindo criar um ambiente de “queda livre.” O avião inclina-se cerca de 45 graus e descreve uma trajectória parabólica, que submete os passageiros a 20 segundos de microgravidade. Estas manobras acrobáticas são repetidas várias vezes, para dar tempo aos estudantes de realizarem as experiências. Estar sujeito à ausência de gravidade nestes aviões costuma ser uma experiência um pouco violenta para os estômagos. Luis Fernandes confessa que não se sentiu lá muito bem, mas que “as partes que conseguiu aproveitar foram muito boas.” Já Vítor Botelho revelou que, depois de um voo experimental mais duro, o corpo se adaptou rapidamente e que, no segundo, a experiência foi “magnífica”, porque já estava mais à vontade. “É como estar dentro de água a flutuar”, descreveu.
FONTE: Público


