Gulbenkian Premeia Estudo 4 Julho
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Um estudo que recorre à chamada teoria das cordas para compreender a física do Big Bang – o momento da grande explosão que deu origem ao Universo, que terá ocorrido entre há 10 mil milhões e 15 mil milhões de anos – foi esta semana distinguido com o Prémio Gulbenkian Ciência 2004. Ao longo dos últimos três anos, o cientista português Miguel Costa e o italiano Lorenzo Cornalba desenvolveram esta teoria no contexto da singularidade cosmológica, ou seja, tendo em conta o período primordial em que toda a matéria do Universo estava densamente agrupada. O prémio, no valor de 25 mil euros, também foi atribuído a uma investigação na área da teoria das redes e outra na da matemática aplicada.
“Temos esperança de que, com este modelo, consigamos explicar não só a física do Big Bang, mas também o Universo, tal como o conhecemos hoje”, explicou ao PÚBLICO Miguel Costa, que há seis anos se doutorou em física teórica na Universidade de Cambridge e, actualmente, lecciona na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Por outras palavras, a dupla de investigadores pretende conceber uma ferramenta que permita explicar tanto os fenómenos altamente energéticos como as mudanças ocorridas com a expansão do Universo, que continua até hoje.
Mas, afinal, o que é a teoria das cordas? A resposta não é simples. Os seus conceitos foram desenvolvidos nos anos 70, mas só na década seguinte começaram a ser profundamente estudados pela comunidade científica. A grande mais-valia desta teoria é ser, ao mesmo tempo, compatível com a de Einstein e com as leis da mecânica quântica. A teoria das cordas seria, dessa forma, uma solução capaz de harmonizar aquelas duas teorias que, até então, eram inconciliáveis. Isso porque a teoria da relatividade – e por extensão a força gravitacional – deixa de ser válida quando temos uma densidade muito elevada de matéria. E quando é que isso ocorre? Temos esta descrição, por exemplo, no Big Bang, quando o Universo estava comprimido em dimensões mínimas e abrangia uma quantidade brutal de energia.
Se reunirmos todos os objectos da nossa casa num guarda-fatos, teremos, ao tentar fechar a porta do móvel, uma vaga ideia da força que pode ter a matéria concentrada. A expansão do Universo que deriva desta explosão corresponderia, numa comparação grosseira, ao abrir da porta do tal guarda-fatos atulhado de coisas. Miguel Costa afirma que ainda não é seguro dizer que a teoria das cordas é, de facto, capaz de explicar cabalmente a singularidade cósmica. “Mas existem esperanças disso, uma vez que a teoria é consistente com a mecânica quântica”, explica o cientista português. O modelo elaborado por estes dois investigadores não está ultimado na sua formulação e, por isso, há agora um grande empenho da dupla na análise da consistência desta teoria. A exemplo de Miguel Costa e Lorenzo Cornalba, existem outros grupos estrangeiros a trabalhar intensamente neste domínio.
FONTE: Público


