Ciência Viva e Fundação para a Ciência Atrasaram Financiamento 29 Junho
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João Sentieiro, director do Instituto de Sistemas e Robótica, que organiza, este ano, o Campeonato Mundial de Futebol Robótico, criticou os atrasos no pagamento das verbas destinadas a financiar a iniciativa, que pela primeira vez tem lugar em Portugal.
Os subsídios para a organização do evento foram propostos ao anterior governo, mas homologados já pelo ex-ministro da Ciência Pedro Lynce. Ficou então acordado que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) contribuiria com cerca de 220 mil euros, enquanto o Ciência Viva garantia outros 150 mil. Ontem, na véspera de abertura, ainda havia dívidas por saldar. A FCT devia 37 mil euros do valor inicialmente previsto. Mas a dívida mais alta era do Ciência Viva: dos 150 mil euros acordados, apenas 40 mil foram disponibilizados.
João Sentieiro estranhou a disparidade da dívida dos dois organismos, argumentando que se havia dinheiro para disponibilizar através da FCT, também deveria haver para o programa Ciência Viva. “Isto faz parte do plano de estrangulamento do Ciência Viva”, garantiu.
Com vista à preparação das equipas para o campeonato mundial, realizaram-se ainda dois concursos de projectos, a nível nacional: um envolveu universidades e institutos politécnicos, e o outro escolas do ensino básico e secundário. Alguns trabalhos foram seleccionados para serem financiados quer pelo FCT, quer pelo Ciência Viva. O objectivo era os projectos escolhidos terem o primeiro teste oficial no Festival Nacional de Robótica, que se realizou em Maio. Mas, segundo João Sentieiro, os projectos que deviam ter sido apoiados pelo FCT receberam, até agora, apenas 15 por cento do financiamento previsto.
No âmbito do programa Ciência Viva, ficara ainda acordada a disponibilização de uma linha especial de financiamento que ajudasse a deslocação a Lisboa de estudantes de escolas primárias e secundárias, provenientes de famílias de poucos recursos. Não aconteceu. A organização financiou a deslocação de alguns estudantes mais necessitados, mas sem qualquer apoio. “Se não tivéssemos os nossos esquemas de emergência, onze equipas [júniores] não teriam vindo”, explica o director do ISR. “A ciência não é uma prioridade. Na prática é assim, embora o discurso político não seja esse”, rematou.
FONTE: Público


