Observação e senso comum fazem um bom inventor, diz Nobel da Física 19 Junho
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Sentido de observação e senso comum são duas das melhores qualidades de um inventor, disse sexta-feira em Lisboa o prémio Nobel da Física Pierre-Gilles de Gennes, sublinhando que estas características permitem descobrir “truques” para resolver problemas do quotidiano.
O investigador francês esteve na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa a falar sobre o fascínio da descoberta científica, o papel da ciência no mundo moderno e as dificuldades que os inventores enfrentam no dia-a-dia, numa iniciativa que pretende despertar os jovens para a ciência.
Enunciando alguns exemplos de descobertas que surgiram da observação de um problema do dia-a-dia, como a invenção do fecho éclair para substituir os botões, este laureado com o Nobel em 1991, considerou, no entanto, que hoje em dia, os inventores têm outra vez a vida dificultada, depois de no século XX a tendência se ter invertido positivamente. “Integrados nas empresas, não podem planear invenções a longo prazo, o que impede que se pense em soluções para o futuro, como no campo da energia”, explicou aos jornalistas, apontando a necessidade de lucro como uma das explicações para este entrave.
No passado, antes do século XX, a vida de inventor era dura porque a investigação era muitas vezes solitária e sem reconhecimento público, notou. Perante um auditório cheio de jovens estudantes, o investigador Pierre-Gilles de Gennes exortou a uma maior ligação entre empresas e universidades, equipas mistas que pensem em formas de melhorar a vida, e à criação de empresas com gente nova (start-up). Os inventores “têm de pensar e olhar para os produtos, ver se funcionam, se são robustos e baratos”, disse, realçando que muitas vezes as melhores soluções para os problemas surgem na forma de “truques”.
A esse propósito, Pierre-Gilles de Gennes indicou à Agência Lusa ter sugerido a utilização de fraldas para reter a água nos solos secos, problema que afecta países desérticos, como os africanos. Segundo o inventor, esta poderia ser uma forma de contornar a utilização (mais cara) de alguns polímeros, restando saber, no entanto, se funciona. “Precisamos, às vezes, de soluções complicadas para resolver determinados problemas, mas só se não podermos chegar a uma solução mais simples”, disse, justificando a sua ideia.
Questionado sobre o maior desafio que enfrenta a ciência no futuro, o Prémio Nobel elegeu a descoberta do funcionamento do cérebro, que classificou de “objecto maravilhoso”, que continua a ser um mistério para o homem. Desde que foi laureado com o Nobel pelo seu trabalho em polímeros e cristais líquidos – substâncias com propriedades intermédias entre as dos líquidos e as dos sólidos – Pierre-Gilles de Gennes tem sido convidado por várias escolas e institutos de todo o mundo para falar do seu trabalho de investigação, da vida profissional e do papel da ciência na vida moderna.
O Prémio Nobel da Física compilou as suas experiências num livro – “Fragile Objects – soft matter, hard science and the thrill of discovery” (“Objectos Frágeis – assuntos suaves, ciência dura e a emoção da descoberta”), onde se podem encontrar palestras e um resumo de algumas discussões.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6123629)


