Univ.Coimbra desenvolve fármaco mais eficaz para terapia fotodinâmica do cancro 11 Junho
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Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolveram um produto que garantem ser 500 vezes mais eficaz do que os fármacos actuais na terapia fotodinâmica do cancro. Para Luís Arnaut, que liderou a equipa de investigação, este novo produto poderá transformar a terapia fotodinâmica no principal método de tratamento das patologias cancerígenas, dadas os efeitos colateriais de outras até agora mais utilizadas, como a radioterapia e a quimioterapia.
“É um passo absolutamente decisivo no tratamento não- invasivo do cancro”, realça uma nota da Universidade, ao aludir a esta nova geração de fotossensibilizadores, uma molécula que é activada pela luz. A terapia fotodinâmica é conhecida há três décadas, mas ainda pouco utilizada, e consiste na utilização da luz para detectar e curar tumores. Consiste na utilização de um fármaco para gerar, através da luz vermelha ou infravermelha, moléculas de oxigénio com a energia necessária para atacar os tumores.
O paciente é injectado com um fotossensibilizador que, por sua vez, absorve a luz e transfere a sua energia para o oxigénio molecular (disponível nas células cancerosas). Quando recebe a energia do fotossensibilizador, o oxigénio fica activado e ataca as células malignas. A inovação no sensibilizador desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Coimbra é a de absorver mais luz e de praticamente não ter perdas na produção do oxigénio activo. Daí a sua eficácia 500 vezes superior ao dos sensibilizadores disponibilizados pela indústria farmacêutica.
Por outro lado, Luís Arnaut, docente do Departamento de Química da Universidade, realça que este sensibilizador “garante maior segurança” e uma quase ausência de toxidade, por ser produzido a partir de produtos naturais. A molécula é produzida a partir do pirrol, um derivado do petróleo, e do aldeido, que existe na amêndoa amarga, num processo de síntese sem grande complexidade e a baixos custos, o que o torna atraente para a indústria farmacêutica. Segundo Luís Arnaut, é também um produto “com um comportamento muito estável”, pois pode ser conservado bastante tempo num frasco, e é solúvel em água.
Esta investigação iniciou-se na Universidade de Coimbra em 1997, envolvendo uma equipa interdisciplinar, da química física, fotoquímica e espectroscopia molecular e orgânica. A colaborar com este grupo de investigadores, nomeadamente no domínio dos testes, encontram-se equipas de França, Brasil e Polónia. Após os testes laboratoriais e in-vitro, irão iniciar- se em breve, na Polónia, os testes em animais. Nas previsões de Luís Arnaut, a disponibilização deste produto no mercado poderá demorar entre três e dez anos, mas até agora ainda não houve contactos com a indústria farmacêutica para a sua produção.
Antes disso é necessário confirmar em testes in-vivo a ausência de toxidade, depois as suas aptidões terapêuticas, e em comparação com outros produtos já disponíveis no mercado para tratamento de cancro. Para o reitor da Universidade de Coimbra, Seabra Santos, os resultados desta equipa são “um exemplo, nem sempre presente nas discussões sobre o sistema universitário, de que a investigação fundamental conduzida por universidades têm um papel preponderante no bem-estar da comunidade”. “Daqui a três ou quatro anos, milhões de pessoas em todo o mundo poderão beneficiar desta investigação da Universidade de Coimbra e ver aumentada a sua esperança de vida e a qualidade de vida na doença”, sublinhou. O cancro é das principais causas de morte no mundo. Em Portugal é a segunda causa de óbitos, depois das doenças cardiovasculares.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-6096774)


