Planos regionais de ordenamento florestal abrem caminho ao eucalipto 3 Junho

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Uma parte substancial da área de pinhal perdida com os incêndios do ano passado na zona de Mação poderá ser reflorestada com recurso ao eucalipto e reorientada funcionalmente para a produção de matéria-prima para a indústria das celuloses. Segundo os estudos dos indicadores ecológicos que permitem definir a aptidão dos solos, desenvolvidos pelas equipas responsáveis pela elaboração dos seis Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) da zona Centro do país, a zona de Mação, bem como o espaço que se estende para sul quase até à entrada do vale do Tejo, é uma faixa com grande potencial para o eucalipto e não tão interessante para o pinheiro bravo.



A cartografia das aptidões ecológicas e dos potenciais de uso da floresta é uma das grandes novidades destes instrumentos de ordenamento e gestão, que hoje são apresentados numa cerimónia na Lousã e a que o PÚBLICO teve acesso. Consistem no inventário completo de indicadores biológicos e ecológicos, que permitem caracterizar em pormenor os vários espaços florestais, a partir do qual se desenvolvem depois modelos espaciais. Entraram também em linha de conta outras variáveis, como as características fitosociológicas da floresta.

Perante todos esses dados, designam-se as funções principais ou dominantes e as restrições aos restantes usos secundários. Assim, na zona da serra da Estrela defende-se a silvo-pastorícia para o sopé e o recreio para o topo, enquanto no cordão litoral da região deverão aplicar-se os princípios da protecção e conservação. “Na zona de Mação, há um potencial da produção que está desaproveitado”, refere Rui Pedro Ribeiro, da empresa Metacortex, que liderou o consórcio que elaborou os seis PROF do Centro. De resto, esta é a única zona em que é sugerida uma reorientação funcional da floresta, que a acontecer seria “regulada” pela reconversão de outras áreas de eucalipto, que “demonstram produções marginais”, e que podem ser transformadas em áreas de silvo-pastorícia. De acordo com o director-geral dos Recursos Florestais, Sousa Macedo, as indicações constantes nestes seis documentos revestem-se de ainda maior importância porque “os fogos do ano passado deixaram uma oportunidade enorme para adaptar o mosaico florestal àquilo que é o potencial para dada espécie”.

Sublinhando que “o pinhal terá sempre uma expressão enorme”, e que sempre que houver oportunidade, a tutela quer “concretizar a plantação de espécies nobres”, este dirigente enfatiza a necessidade de “fazer uma alocação correcta das espécies, olhando para todo o sistema integrado”. “Há eucalipto mal posto, como há pinhal ou sobreiro ou outras espécies mal postas…”, observa.  Nas várias subregiões em que se dividiram os seis blocos – correspondentes aos seis PROF do Centro Litoral, Dão e Lafões, Pinhal Interior Norte e Sul e Beira Interior Norte e Sul -, parte-se do estado actual para depois se apontarem estratégias para a gestão num horizonte temporal de 40 anos, com a possibilidade de revisão a cada três ou cinco anos. A posição de partida é um tanto desanimadora, pois grande parte do território apresenta vastas áreas de pinhal ao abandono. Também a propriedade estruturada sobretudo em minifúndios contribuiu para um “ciclo negativo de qualidade” da região.

Ao mesmo tempo, a zona Centro contém algumas áreas importantes em termos de produção lenhosa, que além de economicamente viáveis são exemplos em termos de gestão. Significativa é ainda a presença de espaços públicos e sob gestão do Estado, como a mata de Leiria ou as zonas de protecção dunares.  “Fizemos um estudo em que demonstramos que nessas zonas do centro litoral a tendência de incêndios tem decrescido”, nota Rui Pedro Ribeiro. Para este responsável, a diferença está no facto de serem áreas com uma gestão interveniente e cuidadosa. Sousa Macedo concorda. “O que é realmente importante é a gestão. Há um espaço enorme para trazer mercado e serviços para as florestas, e consequentemente emprego”.


FONTE: Público

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