Primeiras Bolsas L’Oreal para Mulheres na Ciência Atribuídas em Portugal 2 Junho
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As primeiras “Bolsas L’Oreal Portugal para as mulheres na ciência” contemplaram ontem duas jovens investigadores portuguesas do campo das ciências da vida. Cláudia Pereira e Margarida Carvalho receberam bolsas de pós-doutoramento, no valor de dez mil euros, atribuídas pela L’Oreal Portugal, pela Comissão Nacional da UNESCO e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
O Grupo L’Oreal desenvolve, desde 1998, em conjunto com a UNESCO, o programa internacional “Women in science” que atribui prémios e bolsas de investigação em todo o mundo. A iniciativa portuguesa estreou-se este ano e contou com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que geriu o processo de avaliação das candidaturas. O júri foi presidido por Alexandre Quintanilha.
Cláudia Pereira tem 34 anos e é investigadora do Instituto de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Há cerca de oito anos que desenvolve investigação sobre a doença de Alzheimer. Mais concretamente, estuda o péptido beta-amilóide, o fragmento tóxico produzido pela proteína precursora amilóide, que os cientistas acreditam ser um dos grandes responsáveis por esta doença degenerativa. O péptido beta-amilóide é um dos principais componentes das placas senis, estruturas microscópicas formadas com a morte das células cerebrais, que se encontram nos cérebros dos doentes. A inovação deste projecto, conta a investigadora portuguesa doutorada em biologia celular, é a utilização de um modelo celular de formas esporádicas da doença. A forma familiar da doença é menos comum, está associada a alterações genéticas e revela-se numa idade mais precoce. Da forma esporádica não se conhecem bem as causas, apesar de estarem identificados alguns factores de risco. Esta investigação, explica Cláudia Pereira, poderá permitir “identificar alvos para futuras terapêuticas.”
Após concluir o doutoramento em Ciências Médicas, na Universidade de Lisboa, Margarida Carvalho viajou até aos Estados Unidos e realizou um estágio de cinco meses no Instituto de Cancro Dana Farber, onde procurou aprender as técnicas necessárias para abordar o seu projecto de investigação sobre proteínas associadas ao ARN.
O ARN é uma molécula que serve como mensageira intermediária entre os genes e a concretização da informação que está contida nesses mesmos genes. Hoje sabe-se que “este mensageiro” sofre muitas alterações no processo que decorre até a informação genética ser lida e dar origem ao fabrico de proteínas na célula. Determinadas proteínas associam-se ao ARN neste “percurso complexo”, explica Margarida Carvalho. O que esta investigadora, actualmente a trabalhar no Instituto de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, procura compreender é o papel destas proteínas na transmissão da mensagem e na regulação da expressão ou actividade dos genes. O conhecimento destes mecanismos moleculares poderá ser útil para o estudo de doenças hereditárias, cancros e infecções virais, mas, para já, o primeiro passo é “compreender os processos”, diz. “Nunca se sabe as portas que se nos abrem”, acrescenta.
Seleccionadas entre mais de 30 candidatas, estas investigadoras contam agora com os fundos necessários para poderem prosseguir os seus projectos. “É sobretudo um incentivo para trabalhar mais e melhor”, diz Margarida Carvalho. “É uma ajuda muito grande”, concorda Cláudia Pereira.
FONTE: Público


