Criado 1º programa investigação científica de alterações climáticas em Portugal 2 Junho

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O Governo português abriu pela primeira vez uma linha de projectos de investigação científica na área das alterações climáticas, que será apresentada quarta-feira em Bruxelas pelo secretário de Estado Adjunto da Ministra da Ciência. Jorge Moreira da Silva foi convidado pela comissária europeia do Ambiente, Margot Wallstrom, para presidir à Conferência Europeia sobre Alterações Climáticas.


Em declarações à Agência Lusa, Moreira da Silva explicou que o convite lhe foi feito por ter sido relator permanente do Parlamento Europeu para as Alterações Climáticas, antes de ser nomeado secretário de Estado, no final do ano passado.



Na conferência de quarta-feira, o governante vai apresentar o novo programa de investigação e desenvolvimento em alterações climáticas. “Na área da ciência, até agora os projectos de investigação estavam a ser enquadrados no concurso de programas do ambiente e da economia. Isto não era exactamente adequado às alterações climáticas e decidimos criar uma linha de programas específica para esta área”, contou à Lusa. Segundo explicou, este novo programa de projectos vai ao encontro das pretensões da Comissão Europeia, que tem interesse em associar a problemática ambiental das alterações climáticas às políticas de investigação.


O novo programa, cujas candidaturas podem ser apresentadas até 11 de Julho, deverá incidir em três grandes áreas. Uma delas é o conhecimento e a observação do clima recente em Portugal, para que se possam monitorizar as alterações climáticas no país e traçar cenários futuros que sejam fiáveis. Outra das áreas diz respeito aos impactos e medidas de adaptação a desenvolver para combater as alterações climáticas. Neste capítulo, é necessário, para o Ministério da Ciência, fazer um estudo sistemático dos sectores socio-económicos envolvidos no problema das alterações do clima e promover a sua divulgação.


A terceira área em que devem incidir os projectos é a da definição de políticas para cumprir as metas internacionais de redução dos gases poluentes que provocam o sobreaquecimento global. Trata-se de encontrar formas de alcançar as metas definidas com o menor custo económico possível. Jorge Moreira da Silva disse à Lusa que serão favorecidas as candidaturas que resultem de parcerias, nomeadamente projectos que juntem laboratórios do Estado e unidades de investigação. “Temos bons investigadores em Portugal, mas é preciso massa crítica na área das alterações climáticas, daí que se recomendem projectos que resultem de parcerias”, justificou o secretário de Estado.


Os projectos a serem seleccionados devem ainda prever uma vertente de divulgação ao público. As políticas de investigação, desenvolvimento e inovação no domínio das alterações climáticas são precisamente um dos temas fortes da Conferência Europeia de quarta-feira em Bruxelas e que conta com a participação de empresas, organizações não governamentais, cientistas e membros de governos, as políticas de investigação. Outro assunto a ser debatido é a estratégia a definir para que os Estados Unidos voltem a participar no Protocolo de Quioto, depois de o país ter abandonado o acordo internacional para combater as alterações climáticas já com a administração de George W. Bush.


FONTE: Lusa (Notícia SIR-6072593)

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