Propulsão inédita abre 20 Maio

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A Universidade Fernando Pessoa, do Porto, apresenta a 28 de Maio um sistema de propulsão que põe em causa as leis da física e que pode permitir a Portugal ganhar um “nicho” do mercado espacial, disse quinta-feira à agência Lusa o autor do projecto. Raul Berenguel, cientista do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência daquela universidade, explicou que a experiência a realizar, que está já a atrair o interesse da comunidade científica portuguesa, baseia-se num pequeno “veículo” feito de balsa com cerca de 15 centímetros de diâmetro e que irá elevar-se no ar meramente devido a uma descarga energética elevada.



“No interior do objecto está instalado um condensador normalíssimo, mas com uma diferença: os seus dois eléctrodos, normalmente do mesmo tamanho, têm aqui dimensões diferentes”, descreveu Raul Berenguel. Segundo o investigador, quando o condensador é atravessado por uma carga elevada, superior a 30 mil volts, o objecto pura e simplesmente eleva-se no ar, do eléctrodo maior para o menor, contrariando desta forma simples séculos de leis da física. Paralelamente, a descarga cria um “vento eléctrico” que, tal como o provocado pelas pás de um helicóptero, impulsiona verticalmente o aparelho. O fenómeno não é totalmente desconhecido – foi descoberto na década de 20 do século passado por Thomas Brown – daí ser designado como “Efeito Brown” – mas, apesar das várias patentes que este investigador registou, nunca mereceu grande interesse da comunidade científica internacional até há pouco.


“O interesse, quer no que implica em termos de física teórica quer no que toca às suas implicações práticas, está a merecer uma atenção crescente por parte de cientistas de todo o mundo – nomeadamente do Japão, onde a empresa Honda decidiu criar um gabinete de investigação dedicado exclusivamente ao tema”, referiu Raul Berenguel. O facto das investigações nesta área estarem ainda no seu início e de se tratar de um processo razoavelmente barato – “um laboratório muito bem equipado para estudar e desenvolver este sistema de propulsão não custaria mais de 50 mil euros” – levam Raul Berenguel a defender que Portugal poderia ter aqui um papel de vanguarda.


O cientista salientou: “massa crítica não falta nem vontade: Portugal tem físicos teóricos e engenheiros mais do que preparados para isso”. Quanto à promoção dos estudos, Berenguel considera que “é irrelevante se ela parte de entidades públicas ou privadas, desde que haja sinergias com o sector industrial”. “Para já não se perspectivam grandes hipóteses deste sistema de propulsão permitir a construção de aparelhos de voo atmosférico, por motivos técnicos, mas em termos espaciais, nomeadamente de orientação de satélites, ele tem grandes potencialidades”, salientou. O investigador salientou que “a própria NASA, que formalmente não mostra grande fé neste sistema, já registou três patentes deste efeito electrocinético”.


Aliás, “não se sabe bem ainda se este efeito é electrocinético, termodinâmico ou gravitacional”, visto que nenhuma destas três teses explica totalmente o fenómeno. “Falta ainda investigar muito e definir princípios teóricos”, referiu. Berenguel sublinhou que a experiência de 28 de Maio está a atrair a atenção da comunidade científica portuguesa, nomeadamente de investigadores do Instituto Superior de Tecnologia de Lisboa e das faculdades de Engenharia de Coimbra e do Porto. A apresentação do projecto caberá a Ferreira da Silva, professor jubilado da Faculdade de Engenharia do Porto, que desde Junho do ano passado, data de uma primeira apresentação ainda limitada do projecto, se tem dedicado ao seu estudo.


FONTE: Lusa (Notícia SIR-6045484)

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