A ciência não se mede aos palmos… 11 Março
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Numa recente entrevista, Frank Gannon, director executivo da Organização Europeia de Biologia Molecular, afirmou que “… não podemos prever em que áreas a investigação será mais necessária. O que sempre aconteceu é que experiências sem objectivos práticos resultam em descobertas de grande valor económico. Foi isso que aconteceu com a biotecnologia.”
Estudar elefantes, baleias ou eucaliptos será mais importante que estudar micróbios, fungos ou pequenos crustáceos? E o que virá a revelar-se mais significativo para a sociedade? Questões interessantes…
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O plâncton pode ser definido como o conjunto de organismos que não possui capacidades locomotoras capazes de os fazer deslocar contra as correntes e inclui produtores (fitoplâncton) e consumidores (zooplâncton). Mesopodopsis slabberi é um pequeno crustáceo (pertencente à Ordem Mysidacea) zooplânctónico, que efectua migrações verticais da superfície para o fundo, em busca de alimento e protecção contra predadores. Apresenta uma vasta distribuição geográfica, sendo uma das espécies de misidáceos mais importantes nas águas costeiras pouco profundas. Ocorre frequentemente em sistemas estuarinos (incluindo a Ria de Aveiro – sim, é verdade, anda por cá!) e é, na maior parte das vezes, o misidáceo mais abundante nesses sistemas. Possui um corpo delgado e transparente, olhos de um comprimento invulgar – o dobro do diâmetro da carapaça na região gástrica e mede cerca de 11 mm. Alguns estudos indicam que é uma das presas preferidas dos peixes, ocorrendo em 30 a 40% dos estômagos analisados.
Não é necessário muito para se perceber o impacto que a destruição ou redução drástica da população deste e de outros organismos pode ter na estabilidade da cadeia alimentar – e, consequentemente, na sociedade. Também não é difícil entender como se propaga um tóxico na cadeia marinha, até chegar ao nosso prato (e à nossa boca!) – uma pequena concentração pode não afectar o peixe, mas este vai comer umas centenas de organismos que, embora estejam vivos, já não respiram propriamente saúde! Assim, torna-se cada vez mais importante a realização de testes toxicológicos, que incluem, por exemplo, simulações laboratoriais utilizando diferentes concentrações de tóxicos, com o objectivo de avaliar a sua influência nos organismos.
Daí que, desastres ecológicos, como derramamento de produtos químicos ou petróleo, não afectem apenas as simpáticas focas ou as elegantes gaivotas, mas também todo um conjunto de pequenas criaturas, desprezadas pelos media, mas tão importantes para o bem estar deste planeta!
Artigo publicado na página semanal “Ciência da Vida”, do Diário de Aveiro de 3 de Março de 2003.


